O camarão é um dos principais produtos de exportação da aquicultura, com o Equador se destacando como o maior produtor mundial dessa proteína. Em entrevista à InfoSALMON, Yahira Piedrahita discutiu o bem-estar dos camarões nos centros de cultivo do país, no primeiro Encuentro Latinoamericano de Bienestar Animal realizado em Santiago do Chile, destacando que “a indústria cresceu 21 vezes nos últimos 21 anos”. Ela observou semelhanças significativas entre as práticas de cultivo de salmão no Chile e a criação de camarão no Equador.
Em 2023, o Equador exportou mais de um milhão de toneladas de camarão, tornando-se a segunda maior fonte de receita do país, atrás apenas do petróleo, de acordo com dados da mesma instituição dirigida por Piedrahita.
O impacto do bem-estar animal na indústria

Piedrahita destacou a importância da saúde animal para a qualidade do produto final e a satisfação do consumidor. “Para a indústria, faz parte do negócio. É inconcebível que os animais estejam doentes, mal alimentados ou com deformidades, porque o preço de venda será menor.” A engenheira aquícola salientou que “A qualidade do músculo, sua textura e coloração natural são essenciais, pois é isso que o consumidor exige”. Ela acrescentou que manter os animais em boas condições de bem-estar resulta em um produto final de maior qualidade.
Segundo Piedrahita, o bem-estar animal envolve fatores como nutrição, qualidade da água, tipo de alimentação, densidade populacional e tratamento de doenças. Ela ressaltou que o setor deve estar comprometido com esses critérios para garantir a lucratividade. “Não se pode pensar que a indústria não se interessa pela questão do bem-estar animal, porque é um dos eixos que sustenta o negócio”, disse.
Necessidade de regulamentação e práticas atuais
Apesar da falta de regulamentação específica sobre bem-estar animal na criação de camarão no Equador, Piedrahita destacou que a indústria reconhece a necessidade de diretrizes mais claras. Ela enfatizou que a adoção de boas práticas na produção resulta em um estado de bem-estar animal, com guias específicos já sendo seguidos.
Entre as práticas implementadas, Piedrahita citou a manutenção de densidades de estocagem adequadas, qualidade da água, métodos de transporte e coleta, além de procedimentos de abate. Tecnologias de aeração mecânica e ferramentas de inteligência artificial também são utilizadas para monitorar e projetar condições ideais.
O monitoramento de indicadores da água, como níveis de oxigênio, pH e temperatura, é essencial para manter condições ótimas de bem-estar. Piedrahita explicou que, ao contrário da China, onde as fazendas podem ter até 200 camarões por metro quadrado, no Equador esse número varia entre 8 e 20.
Compromisso com a sustentabilidade e qualidade
Piedrahita ressaltou que o Equador exige o monitoramento da qualidade da água e dos efluentes pelo menos duas vezes por ano, como parte dos protocolos de complianceverificados pelas autoridades.
Ela também lembrou que, apesar de todas as medidas de bem-estar, os camarões são criados para a produção de alimentos, o que implica seu abate. A diretora executiva explicou que o bem-estar da humanidade não pode ser colocado em risco por falta de proteínas. “Devemos implementar políticas e diretrizes adequadas para evitar sofrimento desnecessário, cumprindo questões éticas, práticas e científicas, e garantindo a qualidade do produto final”, concluiu.












