O estudo “Consumo de Pescado no Estado de São Paulo – principais espécies consumidas e perfil socioeconômico do consumidor”, publicado na revista Research, Society and Development, trouxe dados essenciais sobre os hábitos de consumo de pescado no estado mais populoso do Brasil. Realizado entre 2023 e 2024, o levantamento reuniu 1.947 respostas por meio de um questionário on-line, apresentando um panorama que integra preferências alimentares, restrições econômicas e possibilidades de expansão para o setor.
A tilápia é a espécie mais consumida no estado, seguida por salmão, pescada, atum, sardinha, cação, bacalhau e camarão. Apesar da variedade de opções, a frequência de consumo ainda é baixa: 35% dos entrevistados relataram consumir pescado apenas de uma a três vezes por mês. Moluscos e crustáceos, como camarões e lulas, são consumidos com menos frequência, geralmente reservados para ocasiões especiais.
Esse comportamento segue um padrão semelhante ao de outras regiões do Brasil, onde o consumo de pescado permanece abaixo da recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 12 kg por pessoa ao ano. No estado de São Paulo, esse consumo é ainda mais baixo, alcançando apenas 1,45 kg per capita.

Perfil socioeconômico e principais locais de compra
O estudo revelou que 62% dos consumidores de pescado são mulheres, sendo a faixa etária predominante entre 40 e 59 anos. A maioria possui ensino superior e renda domiciliar entre 2 e 8 salários mínimos, caracterizando um perfil urbano de classe média.
Os supermercados lideram como o principal local de compra, seguidos por peixarias e feiras livres. Essa preferência reflete a importância da conveniência para o consumidor, que geralmente opta por filés congelados, embalados de maneira prática e prontos para o preparo.
Barreiras ao aumento do consumo
O preço é um dos principais desafios para o consumo de pescado no estado. Quase metade dos entrevistados (47,6%) considera o pescado caro, enquanto 19% o classificam como muito caro. O custo mais elevado em relação a outras carnes, como frango e bovina, desmotiva o consumo.
Por outro lado, 29% dos consumidores afirmaram estar dispostos a pagar mais por pescado com certificação de qualidade, evidenciando uma oportunidade de mercado para produtos diferenciados e que transmitam segurança ao consumidor.
Com isso, o estudo sugere estratégias de marketing para estimular o consumo de pescado, incluindo campanhas que destaquem os benefícios para a saúde, apresentem formas variadas de preparo e promovam produtos mais acessíveis. Além disso, recomenda-se o fortalecimento da cadeia produtiva e a redução de tributos, medidas que podem facilitar o acesso do consumidor final ao pescado.












