O cultivo de algas marinhas, conhecido como ficonomia ou algicultura, especialmente da espécie Kappaphycus alvarezii, tem se tornado cada vez mais relevante no Brasil devido às suas diversas aplicações no agronegócio, nas indústrias alimentícia, farmacêutica e cosmética.
Da mesma forma que o uso de tecnologias digitais, de informação e comunicação cunharam a agricultura 4.0, o uso de drones e a análise de índices multiespectrais estão colaborando para o aumento de produtividade na algicultura, com potencial de agilizar a coleta, o processamento, a análise e a integração de dados do cultivo de algas em fazendas marinhas.
Um estudo recente conduzido por pesquisadores da Universidade de Ribeirão Preto e empresas parceiras – Algastech (algastech.com.br) e Agropixel (agropixel.com.br) – revelou que a combinação de drones equipados com câmeras multiespectrais e a análise de índices específicos é uma ferramenta poderosa para segmentar e quantificar a biomassa de K. alvarezii.
Esse avanço tecnológico facilita a gestão operacional do cultivo, reduzindo a necessidade de atividades manuais e permitindo decisões mais informadas por parte dos produtores.
Inovação tecnológica no cultivo de Kappaphycus alvarezii
Entre os 24 índices multiespectrais analisados no estudo, quatro se destacaram pela eficácia na segmentação e quantificação da biomassa: ABDI1, ABDI2, CIG e GNDVI.
Esses índices permitiram uma visão detalhada do cultivo, identificando áreas com maior densidade de algas e podem ser explorados para monitorar o estado fisiológico das plantas, taxa de crescimento, presença de epifitismo (organismos que se desenvolvem sobre as algas) e outros parâmetros de interesse biotecnológico.
O impacto destas análises na atividade torna essa abordagem indispensável para automatizar o processo de cultivo, aumentando a eficiência e a produtividade das fazendas de algas marinhas no Brasil.

Desafios e soluções no uso de drones para a Algicultura
O benefício do uso de drones vai além do cultivo de algas e pode também impactar positivamente outros ramos da maricultura como o cultivo de peixes, moluscos e crustáceos.
Entretanto, a aplicação dessa tecnologia enfrenta alguns desafios, como o alto custo dos equipamentos e a complexidade das condições naturais, como o brilho solar e a movimentação da superfície da água.
Além disso, outro aspecto da pesquisa é justamente desenvolver as análises de dados com uso de drones de baixo custo, uma vez que os resultados demonstram que a combinação de drones e índices multiespectrais têm um enorme potencial para transformar a maricultura no Brasil, tornando-a mais sustentável e tecnicamente avançada, além de gerar maior lucratividade para os empreendedores.
Na era do agro 4.0, o avanço tecnológico trazido pelo uso de tecnologias digitais e drones equipados com câmeras multiespectrais para o cultivo de algas podem estar também definindo a algicultura 4.0. Isso representa um marco promissor para a algicultura brasileira, abrindo caminhos para novas pesquisas e inovações que podem consolidar a cadeia produtiva do cultivo de algas marinhas desde o cultivo e colheita, desenvolvimento de linhagens melhoradas e logística, garantindo níveis mais altos de eficiência e sustentabilidade.
Leia o estudo completo em: https://www.mdpi.com/2673-8783/4/3/52












