Um novo método simplificado permite que cientistas aumentem significativamente o número de amostras analisadas simultaneamente, obtendo informações valiosas sobre a saúde das populações de peixes, um dado crucial para a gestão aquícola.
Pesquisadores do Centro de Ciências Pesqueiras do Alasca desenvolveram uma forma mais simples de medir a quantidade de gordura, rica em energia, nos peixes. Como resultado, o número de amostras analisadas aumentou substancialmente.
Os cientistas reconhecem há muito tempo os lipídeos (ou gorduras) como a principal reserva de energia para os animais em ecossistemas marinhos. Esses compostos são mais densos em calorias do que proteínas e açúcares, sendo fundamentais para o crescimento. Peixes com baixos níveis de lipídeos apresentam crescimento mais lento, menor capacidade reprodutiva e tendem a ser mais frágeis.
A medição do teor total de lipídeos nos peixes é amplamente usada como indicador da saúde geral de uma população. Além disso, espécies que servem de presa e possuem maiores teores de gordura contribuem para a saúde dos predadores que delas se alimentam.
Diferenças em relação ao método antigo
Os métodos tradicionais para análise de lipídeos são demorados e geram poucos resultados. Em média, um técnico consegue processar 15 amostras em um dia de trabalho de 8 horas usando a análise gravimétrica. Com o novo método, é possível processar até 69 amostras no mesmo período. Essa inovação aumenta drasticamente a produtividade, sem comprometer a precisão e a exatidão dos resultados. Mais dados podem ser gerados em menos tempo, o que é fundamental para que os gestores tomem decisões rápidas sobre as populações de peixes e a gestão da produção.
Otimização do método para uma entrega eficiente de dados

“Para obter bons dados sobre as populações de peixes, precisamos de grandes tamanhos de amostra”, explicou Cody Pinger, autor principal e químico analítico do Centro de Ciências Pesqueiras do Alasca.
“Em minha experiência com a medição de lipídeos em peixes, os métodos de laboratório costumam ser lentos e cansativos. Durante quase uma década, nossa equipe vem otimizando o ensaio de sulfo-fosfo-vanilina (SPV), e estou feliz em dizer que aumentamos nossa produtividade várias vezes, mantendo a exatidão e a precisão dos resultados”, completou.
O ensaio SPV tem sido amplamente estudado como uma alternativa rápida aos métodos tradicionais de análise de lipídeos. “Aumentamos a produtividade adaptando o ensaio para equipamentos químicos modernos e validamos essas medições em populações de peixes importantes no Alasca”, acrescentou Pinger.
Desenvolvimento do processo
O processo começa com a amostra do peixe. Para algumas espécies, todo o peixe é transformado em uma mistura homogênea, para outras, apenas o tecido muscular é processado e extraído com solventes orgânicos. Em seguida, a amostra é aquecida e tratada com ácido sulfúrico concentrado, seguida por uma reação com vanilina na presença de ácido fosfórico — daí o nome “sulfo-fosfo-vanilina”. O produto final é um líquido transparente com um tom rosado. Quanto mais escuro o rosa, maior a quantidade de lipídeos na amostra.
Após esse processo, a amostra é analisada em um espectrofotômetro, que mede a quantidade de luz absorvida. Esse equipamento de alta precisão quantifica a quantidade de lipídeos em cada amostra. O uso de um formato com 96 poços permite que várias amostras sejam analisadas simultaneamente, tornando o processo mais rápido e eficiente que os métodos anteriores.
Calibração e aplicação dos dados
Estudos anteriores mostram que a alta precisão deste método depende de uma calibração adequada, para que ele possa ser aplicado a diferentes espécies de peixes.
A reação química entre os lipídeos, o ácido e a vanilina varia conforme a composição molecular da gordura, que é diferente entre as espécies. A gordura de um filé de salmão, por exemplo, é quimicamente distinta da de um bacalhau do Pacífico. O ideal seria que todas as amostras fossem calibradas usando um óleo de peixe amplamente disponível. No caso de Pinger e sua equipe, eles usaram óleo de menhaden para essa calibração. No entanto, isso pode introduzir algum erro ao analisar espécies com diferentes perfis lipídicos.
Para aprimorar a calibração do ensaio SPV, o grupo de pesquisa desenvolveu modelos específicos para cada espécie: arenque do Pacífico, bacalhau, peixe-carvão, capelim e as cinco espécies de salmão do Pacífico do Alasca (chinook, coho, rosado, vermelho e chum). Os resultados mostraram uma alta correlação com os métodos tradicionais, validando o ensaio SPV como uma nova maneira de medir lipídeos em peixes marinhos do Alasca.
Após anos de trabalho, Cody Pinger e sua equipe estão satisfeitos com os resultados. “Esse projeto estava em andamento há muito tempo, e estamos todos muito felizes por conseguir fornecer dados de alta qualidade de maneira tão eficiente. Quanto mais informações pudermos oferecer sobre o estado anual de nossos ecossistemas e populações de peixes, melhor será para a gestão desses recursos marinhos, que são tão importantes tanto comercial quanto ecologicamente”, concluiu.







