Uma publicação recente na Journal of Animal Physiology and Animal Nutrition, intitulada “An Overview of the Biological Functions and Mechanisms of Action of Medicinal Plants and Seaweeds in the Shrimp Culture,” apresenta uma revisão sobre o uso de plantas medicinais e algas marinhas no fortalecimento da saúde e imunidade de camarões cultivados.
O artigo destaca o potencial dessas alternativas para reduzir a dependência de antibióticos, proporcionando uma abordagem mais sustentável e eficaz na carcinicultura, especialmente para enfrentar doenças infecciosas como a vibriose e a Síndrome de Mortalidade Precoce (EMS).
Desafio das doenças e resistência aos antibióticos
Na carcinicultura, as doenças infecciosas representam uma ameaça constante à produtividade, o que impulsiona muitos produtores a utilizarem grandes quantidades de antibióticos. No entanto, essa prática tem gerado resistência microbiana, aumentando as dificuldades de controle e impactando negativamente a saúde ambiental e a segurança alimentar.
Estima-se que o uso de antibióticos varie de 200 a 700 gramas por tonelada de produção. Em países como a Tailândia, por exemplo, a carcinicultura consome entre 500 e 600 toneladas de antibióticos anualmente.
Com o crescente problema da resistência antimicrobiana, muitos países têm adotado regulamentações mais rígidas para limitar o uso desses compostos. O estudo sugere o uso de plantas medicinais e algas como alternativas viáveis para combater patógenos e fortalecer o sistema imunológico dos camarões, reduzindo a dependência de antibióticos.

Potencial das plantas medicinais e algas
Essas alternativas naturais apresentam uma série de benefícios. As plantas medicinais, como o gengibre e o alho, são ricas em compostos bioativos com propriedades antimicrobianas, antioxidantes e anti-inflamatórias. As algas marinhas, por exemplo, as do gênero Gracilaria, são compostas por sulfatos de galactanos (SG), que demonstraram potencial para ativar respostas imunológicas em camarões, aumentando a resistência contra agentes patogênicos.

O estudo aponta que os bioativos presentes em algas e plantas, como os polifenóis e flavonoides, podem ser administrados de várias maneiras, incluindo por via oral, injeção e banhos de imersão.
Além disso, tecnologias de extração, como a extração assistida por ultrassom (UAE) e a extração com fluido supercrítico (EFS) são recomendadas para otimizar a concentração e a eficácia desses compostos.
Resultados promissores e aplicação prática
Pesquisas apontam que o uso de extratos de algas e plantas medicinais aumenta significativamente a sobrevivência e o crescimento dos camarões, além de melhorar a eficiência alimentar. Essas práticas também ajudam a reduzir o estresse oxidativo nos camarões e fortalecem o sistema imunológico, proporcionando uma resposta mais eficiente contra doenças como a vibriose, causada por Vibrio alginolyticus, e a EMS.
Em resumo, a utilização de plantas medicinais e algas marinhas na carcinicultura não só proporciona uma estratégia eficaz e sustentável no combate a doenças, como também promove uma produção mais segura e com menor impacto ambiental. Futuras pesquisas devem focar na descoberta de novos compostos bioativos e no desenvolvimento de técnicas de aplicação mais eficientes, ampliando as alternativas de manejo sanitário na aquicultura.












