A demanda por métodos capazes de avaliar o estresse em espécies aquícolas de forma precisa e sem causar danos ao organismo está em constante crescimento. Entre essas técnicas, destaca-se a imagem hiperespectral da biofluorescência, que permite identificar sinais iniciais de estresse em peixes e invertebrados de maneira não invasiva.
A biofluorescência ocorre quando peixes e invertebrados emitem luz em uma cor de menor energia ao serem expostos a uma luz azul de alta intensidade. Embora essa fluorescência seja invisível ao olho humano, ela pode ser detectada com precisão por meio de imagens hiperespectrais.
“Os peixes podem manifestar sinais de bem-estar que são invisíveis ao olho humano, e um dos nossos objetivos é explorar novas tecnologias que possam nos revelar essas informações em tempo real”, afirma Evan Durland, cientista especializado em genética da aquicultura e líder do projeto.
Indicadores de bem-estar são fundamentais, pois o estresse crônico em animais os torna mais suscetíveis a doenças, reduzindo seu ritmo de crescimento e aumentando as taxas de mortalidade. No entanto, os métodos disponíveis para detectar precocemente sinais de estresse em espécies marinhas ainda apresentam limitações.
Brilho sob estresse
Os pesquisadores Samuel Ortega e Thomas Juhasz, doutorando visitante, estudaram as possibilidades da imagem hiperespectral de biofluorescência como um indicador de bem-estar em espécies marinhas, com foco no lumpfish, no caranguejo-real-vermelho e no ouriço-do-mar-verde.
Os estudos revelaram que o lumpfish e o caranguejo-real-vermelho exibiam uma fluorescência mais intensa após serem submetidos a fatores estressantes, indicando que esses animais brilhavam mais em situações de estresse agudo. Além disso, foi observado que os ouriços-do-mar com espinhos danificados ou lesões apresentavam maior brilho nas áreas afetadas.
Inovações para aprimorar a tecnologia
“Queremos explorar a possibilidade de integrar inteligência artificial (IA) a este método. A IA pode analisar os dados de biofluorescência obtidos através das imagens hiperespectrais e nos alertar caso detecte alguma alteração que indique estresse nos animais. Acreditamos que isso pode contribuir de forma significativa para o futuro da avaliação do bem-estar durante operações de aquicultura”, explica Samuel Ortega.
O estudo, conduzido pela Nofima em parceria com o doutorando Marie Curie Thomas Juhasz, foi realizado em 2022 com financiamento do programa Horizonte 2020 da União Europeia, por meio do projeto AquaVitae, e do projeto Deep Vision da Nofima.












