Pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) identificaram o potencial de proteínas extraídas de algas marinhas e esponjas do litoral brasileiro no combate às bactérias resistentes a antibióticos, conhecidas como superbactérias. O estudo, publicado nos Anais da Academia Brasileira de Ciências, aponta que essas proteínas, chamadas lectinas, podem aumentar significativamente a eficácia de medicamentos como a tetraciclina, possibilitando sua utilização em doses menores.
Estratégia para enfraquecer bactérias
As lectinas, extraídas de oito espécies de algas e esponjas da costa cearense, foram analisadas em combinações com os antibióticos oxacilina e tetraciclina. Testadas em laboratório contra as bactérias Staphylococcus aureus e uma cepa multirresistente de Escherichia coli, algumas dessas proteínas apresentaram a capacidade de fragilizar as células bacterianas e potencializar a ação dos medicamentos.
“As lectinas podem fragilizar as células bacterianas e, assim, aumentar a eficácia do medicamento”, explicou Rômulo Farias Carneiro, pesquisador da UFC e autor do estudo.
Essa fragilização ocorre porque as proteínas bloqueiam os mecanismos de defesa das bactérias, que, sem proteção, tornam-se mais suscetíveis aos antibióticos. Uma das lectinas testadas, extraída de algas vermelhas do gênero Bryothamnium, foi especialmente eficaz, reduzindo em até 95% a dose necessária de tetraciclina para combater as infecções.
Perspectivas futuras para o combate à resistência antimicrobiana

O estudo sugere que as lectinas podem ser usadas no futuro como agentes complementares em tratamentos para infecções graves. “A busca por novos agentes antimicrobianos é essencial, mas também desafiadora. A abordagem estudada permite atacar as bactérias em duas frentes diferentes, reduz significativamente as chances de sobrevivência desses organismos e dificulta o desenvolvimento da resistência. Além disso, nosso estudo mostrou que algumas bactérias, anteriormente resistentes a certos antibióticos, tornaram-se sensíveis novamente quando o fármaco foi usado em conjunto com as lectinas”, destacou Carneiro.
A pesquisa ainda está em estágio inicial, mas abre portas para novas combinações entre antibióticos e proteínas marinhas. A expectativa é que estratégias como essa possam reduzir os custos de tratamentos e oferecer alternativas eficazes para o controle de infecções que representam uma ameaça crescente à saúde pública global.
Com informações de Agência Bori: https://abori.com.br/saude/proteinas-de-algas-marinhas-podem-reduzir-dose-de-antibiotico/
Leia o artigo completo aqui. https://www.scielo.br/j/aabc/a/Tc8KvHN3FzXfmc6wdQvv9sL/?lang=en






