Uma parceria entre a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) e a Universidade Federal do Paraná (UFPR) promete transformar a maricultura no estado. Com um investimento de cerca de R$ 3 milhões, financiado pelo governo estadual, o projeto busca melhorar e ampliar a produção de ostras no Paraná, beneficiando diretamente comunidades locais.
O projeto foi apresentado em 4 de dezembro aos secretários da Agricultura e do Abastecimento, Natalino Avance de Souza, e da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldo Nelson Bona, durante visita ao Centro de Estudos do Mar (CEM) da UFPR, em Pontal do Paraná.
Produção independente de sementes
Atualmente, produtores paranaenses dependem de outros estados, como Santa Catarina, para obter sementes de ostras. O projeto prevê a criação de laboratórios destinados ao desenvolvimento de técnicas e sistemas eficientes para a produção própria de sementes. Essa iniciativa facilitará o acesso ao insumo, aumentando a produção, gerando renda para as comunidades e promovendo práticas sustentáveis que reduzam a pressão sobre as populações naturais de ostras.
“O projeto redireciona os esforços para aumentar a renda do produtor e, principalmente, a qualidade de vida, trazendo também uma opção de turismo para quem quer conhecer esta iguaria”, destacou o secretário Natalino Avance de Souza.
Capacitação e sustentabilidade
Entre as ações previstas estão eventos de capacitação, apoio no licenciamento ambiental, oficinas para confecção de equipamentos de cultivo, como lanternas e travesseiros flutuantes, além da instalação de unidades de pesquisa e extensão para fornecer suporte tecnológico aos produtores. A iniciativa deve beneficiar diretamente os municípios de Antonina, Guaraqueçaba, Guaratuba, Matinhos, Paranaguá e Pontal do Paraná.
A UFPR desempenhará papel essencial no projeto, contribuindo com pesquisas, extensão acadêmica e logística. Além disso, serão realizados estudos voltados ao melhoramento genético da ostra nativa e ao desenvolvimento de aplicativos para monitoramento do manejo e crescimento das sementes distribuídas. “Estamos empolgados com esse futuro que vem para a maricultura. Temos muita pesquisa e muita produção pela frente”, afirmou o professor Francisco José Lagreze Squella.
Integração e apoio técnico
A elaboração e execução do projeto contam com o suporte de diversas instituições. O Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná – Iapar – Emater (IDR-Paraná) e a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) fornecerão assistência técnica, vigilância sanitária e orientação aos produtores.
Durante a visita, o presidente do IDR-Paraná, Richard Golba, destacou a colaboração entre as entidades envolvidas. “É incrível vivenciar essa integração entre a Adapar, que faz vigilância sanitária, o IDR-Paraná, que faz extensão rural, a UFPR, que faz pesquisa, e duas secretarias fundamentais apoiando esses produtores.”
Resultados promissores para a maricultura
A produção de ostras ainda é incipiente no Paraná, mas apresenta potencial significativo. Em 2023, o estado alcançou um Valor Bruto de Produção Agropecuária (VBP) de R$ 3,2 milhões, com a produção de 193 mil dúzias de ostras. Guaraqueçaba foi destaque, com R$ 1,6 milhão em VBP e 95 mil dúzias produzidas, seguida por Guaratuba, com R$ 1 milhão em VBP e 60 mil dúzias.












