Um estudo desenvolvido por pesquisadores de diversas universidades, incluindo a Universidade de Washington, a Universidade Americana, a Universidade de Stanford, a Universidade de Estocolmo e outras trouxe à tona dados que conectam produção, fatores de conversão e comércio para calcular o consumo de todos os alimentos aquáticos, tanto de cultivo quanto selvagens, de 1996 a 2020.
Alimentos aquáticos: fonte vital e sustentável
Os sistemas alimentares aquáticos são uma fonte essencial de nutrição, emprego e renda em todo o mundo. Além disso, esses alimentos têm o potencial de reduzir a pressão ambiental na produção de alimentos, devido ao baixo uso médio de recursos e emissões.
Contudo, a diversidade dos alimentos aquáticos é enorme, abrangendo mais de 2.400 espécies marinhas e de água doce capturadas ou cultivadas por meio de diversos métodos.
Essa variabilidade também se reflete em sua composição nutricional e nas pressões ambientais associadas. Diante disso, torna-se necessário identificar e apoiar sistemas alimentares aquáticos que promovam a nutrição, a sustentabilidade e o bem-estar humano.
Com o comércio internacional de alimentos aquáticos representando 40% da produção, é crucial contabilizar essas trocas para atingir esses objetivos. O comércio oferece tanto benefícios quanto riscos para a segurança alimentar, resiliência e sustentabilidade.
Principais descobertas do estudo
O estudo, publicado na revista Nature Communications sob o título “Globalization of wild capture and farmed aquatic foods”, revela uma base de dados sobre o comércio de espécies, alinhando produção, fatores de conversão e comércio para calcular o consumo de todos os alimentos aquáticos.
De acordo com os autores, “os alimentos aquáticos são altamente comercializados, com cerca de 60 milhões de toneladas exportadas em 2020, representando 11% do valor total do comércio agrícola mundial”.
Entretanto, os pesquisadores alertam que, “apesar da vasta escala, as características básicas do comércio de alimentos aquáticos, como espécies, origem e se são de cultivo ou captura, são em grande parte desconhecidas devido à falta de dados consistentes. Como resultado, temos uma visão pouco clara do comércio de alimentos aquáticos e seus padrões de consumo”.
Globalização e os impactos no consumo
O estudo mostrou que, durante o período analisado, os alimentos aquáticos tornaram-se cada vez mais globalizados, com um aumento de 40% na proporção da produção exportada. “O consumo global também aumentou em 19,4%, apesar da redução no consumo de captura marinha, e algumas regiões se tornaram mais dependentes de alimentos aquáticos de origem estrangeira”, afirmaram os pesquisadores.

Os dados do estudo permitem identificar oportunidades para dietas mais sustentáveis e oferecem uma melhor compreensão do papel do comércio nos sistemas alimentares aquáticos, que estão em rápida evolução.
Além disso, eles destacam o papel crescente da globalização e os desafios de segurança alimentar, especialmente para países que dependem de importações para sua resiliência.
O comércio aquático: exportações e desafios
As exportações de alimentos aquáticos mais que dobraram entre 1996 e 2019, passando de 28,1 para 59,2 milhões de toneladas, acompanhando o ritmo de outros produtos agrícolas, como os cereais.
“Embora a aquicultura represente metade da produção de alimentos aquáticos, os produtos de pesca de captura ainda constituem 60% das exportações”, explicaram os autores.
As exportações nacionais aumentaram de 15,7% para 21,5% da produção entre 1996 e 2019, enquanto as exportações totais – que incluem produtos de origem estrangeira – chegaram a 33,5% da produção total em 2019.
A importância de políticas sensíveis à nutrição
Os achados também esclarecem debates em curso sobre a orientação da aquicultura. As tendências de exportação destacam a necessidade de considerar os mercados internacionais na formulação de políticas sensíveis à nutrição.
“Compreender a retenção e o fluxo de alimentos aquáticos e seus nutrientes associados é fundamental para garantir equidade dentro dos sistemas alimentares. Essas informações são essenciais para monitorar o progresso de políticas que levem em conta a natureza global dos alimentos aquáticos”, concluíram os especialistas.












