A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em parceria com a Secretaria Nacional de Aquicultura (SNA) do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), lançou, nesta terça-feira (17/12), em Brasília, a fase de campo de um programa destinado a promover o desenvolvimento da aquicultura no Brasil. O projeto visa impulsionar a inovação tecnológica e organizacional entre pequenos aquicultores das regiões Norte e Nordeste.
Entre as principais ações da iniciativa está o desenvolvimento de uma plataforma digital que fornecerá diagnósticos personalizados e planos de ação para pequenos produtores aquícolas. A ferramenta será apoiada por extensionistas do Sebrae, que auxiliarão os produtores na implementação de estratégias para aumentar a produtividade e a rentabilidade. Além disso, associações e cooperativas serão capacitadas para aprimorar suas capacidades técnicas e de gestão.
Jorge Meza, representante da FAO no Brasil, destacou que a aquicultura continental já ultrapassou a produção pesqueira marítima em volume e que o Brasil tem um grande potencial para expandir ainda mais nesse setor. “Pequenos produtores aquícolas precisam ser fortalecidos, pois eles fortalecem o país, e essa iniciativa tem enorme potencial para isso, especialmente ao trabalhar ao lado de parceiros como os que estão aqui hoje. Uma das palavras-chave do projeto é inovação e, para isso, a articulação é essencial”, afirmou.
O ministro André de Paula também ressaltou o esforço coletivo no desenvolvimento do programa e a importância dele para o alinhamento com os compromissos do governo federal. “Esse projeto tem um conjunto de valores muito caros ao governo do presidente Lula. Nos ajuda no combate à fome e na segurança alimentar, além de fortalecer o pequeno produtor, viabilizando sua atividade econômica, assegurando seu retorno e permitindo o avanço na sua produção”, destacou.
Implementação do programa
O programa será iniciado em janeiro de 2024, no estado de Alagoas, com previsão de curto prazo. Giselle Duarte, coordenadora do projeto na FAO, explicou que essa fase de implementação serve como um catalisador para expandir a iniciativa para outras regiões do Brasil. “O objetivo é fortalecer o cooperativismo e o associativismo no Nordeste, com base nas experiências consolidadas do Sul do país”, afirmou Duarte.
Felipe Matias, consultor da FAO para o projeto, destacou que 50% da produção aquícola no Brasil é proveniente de pequenos e médios produtores, que enfrentam altos custos, especialmente após a pandemia. “A chave para a sustentabilidade desse projeto está na inovação, que ajudará a reduzir os custos de produção”, disse Matias.

A grande novidade para os produtores será a assistência técnica digital. “Não é o pequeno produtor que vai se digitalizar, é o extensionista que precisa ser treinado para utilizar a tecnologia e manter o contato com os produtores. Esse será o papel do extensionista”, concluiu Matias.
A aquicultura no mundo e o Brasil no cenário global
A aquicultura tem sido cada vez mais reconhecida por seus benefícios à segurança alimentar, à nutrição e ao desenvolvimento socioeconômico, com um baixo impacto ambiental. Os sistemas aquáticos oferecem proteínas mais acessíveis e baratas, especialmente em países de menor renda, tornando-se uma fonte importante de nutrientes essenciais.
Em 2022, pela primeira vez, a produção de aquicultura superou a pesca extrativa globalmente, alcançando 94,4 milhões de toneladas, ou 51% da produção total de animais aquáticos, segundo dados do relatório “Estado da pesca e aquicultura”, da FAO. A produção de aquicultura já ultrapassa a de pesca extrativa em diversos países, especialmente na Ásia, onde se concentra quase 90% da produção mundial. No entanto, as Américas, a segunda maior região produtora, contribuem com apenas 5,2% da produção global.
O Brasil tem mostrado crescimento constante na aquicultura, alcançando 738 mil toneladas de produção em 2022, representando 14,9% da produção das Américas. Esse aumento foi significativo desde o ano 2000, quando o país produzia apenas 172 mil toneladas. Hoje, o Brasil ocupa a 13ª posição mundial na produção de aquicultura de animais aquáticos e a 9ª posição em crustáceos.
Inovações digitais e aprimoramento dos dados socioeconômicos e técnicos, como as propostas pelo projeto, têm sido fundamentais para fortalecer a “Transformação Azul” e oferecer informações mais precisas para a gestão sustentável da pesca e aquicultura em nível global.












