Como alimentar a população global de forma nutritiva e com o menor impacto ambiental possível? A aquicultura – o cultivo de organismos aquáticos em ambientes controlados – surge como uma possível resposta. Com o objetivo de investigar essa alternativa, 11 instituições nacionais e internacionais estão colaborando em pesquisas focadas na Amazônia, um bioma estratégico para a produção sustentável.
Recentemente, a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) sediou um encontro no Trade Hotel que reuniu 36 pesquisadores de diversas organizações para o terceiro grupo de trabalho intitulado “Inteligência Artificial para uma Amazônia Próspera: Desbloqueando o Potencial da Aquicultura Sustentável”.
Participaram do evento representantes de instituições renomadas, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a Universidade Federal de Rondônia (UNIR), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Universidade Cornell, nos Estados Unidos.
Durante o encontro, os 36 especialistas colaboraram na produção de sete artigos científicos. “Conseguimos avançar, revisitamos os dados e vimos o que mais pode ser feito e principalmente discutimos o futuro desta parceria, desses projetos e da cooperação entre instituições envolvidas”, comentou o professor Nathan Barros, do Instituto de Ciências Biológicas da UFJF.
Aquicultura: sustentabilidade e desafios nutricionais
De acordo com um relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), publicado em 2020, a produção de alimentos aquáticos deve crescer 15% até 2030. Esse aumento é essencial para alimentar uma população global em crescimento, mas deve ser realizado de maneira ambientalmente sustentável, com atenção especial à minimização dos impactos ecológicos, à promoção da igualdade social e à adaptação às mudanças climáticas.
No campo da aquicultura, práticas como a gestão do ambiente aquático, o manejo alimentar e o controle das condições de cultivo são implementadas para melhorar a produção. “O que estamos tentando fazer é compreender as vantagens e as desvantagens dos diferentes tipos de aquicultura na Amazônia, principalmente em relação às emissões de gases de efeito estufa”, explicou Alexander Flecker, pesquisador do Departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva da Universidade Cornell.
Flecker destacou a importância da parceria com a UFJF. “Os pesquisadores daqui foram fundamentais para a medição efetiva das emissões de gases de efeito estufa nas lagoas analisadas”, disse ele.
Dados do Earth Innovation Institute indicam que a piscicultura na Amazônia utiliza até 30 vezes menos terra e emite apenas 5% do carbono gerado pela produção de carne bovina em quantidade equivalente. Essa prática já contribuiu para evitar o desmatamento de 38 mil quilômetros quadrados de floresta na região.
David “Toby” McGrath, diretor adjunto e cientista sênior do instituto e membro do grupo de pesquisa, observou: “Aqui na Amazônia, no Brasil, temos abundantes recursos pesqueiros, mas falta gestão. Com gestão e com desenvolvimento de piscicultura, conseguimos cuidar bem do meio ambiente e aumentar bastante a produção”.
Fortalecendo a colaboração internacional
“Essa parceria começou com o egresso do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Rafael Almeida, que hoje é professor na Universidade de Indiana, nos Estados Unidos”, relatou Barros. O grupo já havia colaborado anteriormente no desenvolvimento de uma ferramenta que otimiza a escolha e a implantação de reservatórios na Amazônia, resultando na publicação de vários artigos em revistas científicas de renome, como Nature e Science.
Assessoria de Comunicação da UFJF.












