Pesquisadores descobriram uma forma inovadora e sustentável de combater bactérias patogênicas no cultivo de camarões. O estudo foi conduzido com a colaboração de diversos pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF) e Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
O trabalho apontou que o dinoflagelado endossimbiótico Durusdinium glynnii pode crescer em efluentes de sistemas simbióticos de criação de camarão, aproveitando nutrientes residuais e produzindo compostos antimicrobianos naturais que inibem o crescimento de bactérias do gênero Vibrio. Essa abordagem une economia circular e redução de impactos ambientais, trazendo uma nova perspectiva para a aquicultura sustentável.
Uso de efluentes de carcinicultura: dinoflagelado como aliado na saúde do camarão
O crescimento da aquicultura tem gerado a necessidade de soluções ecologicamente corretas para o tratamento de efluentes. Em especial, o descarte inadequado de resíduos ricos em nitrogênio e fósforo causa problemas ambientais, como a eutrofização.
O estudo abordou o uso de efluentes de cultivo de camarão do sistema simbiótico, onde esses resíduos foram utilizados como meio de cultivo para o Durusdinium glynnii, um dinoflagelado que se mostrou altamente eficiente em absorver esses nutrientes.
De acordo com os resultados, o dinoflagelado atingiu sua máxima biomassa com uma mistura de 75% de efluente e 25% de meio f/2 (um meio de cultivo enriquecido que fornece os nutrientes essenciais para o crescimento de microalgas).
Nessa proporção, D. glynnii foi capaz de remover cerca de 50,1% de nitrogênio e 71,7% de fósforo, aumentando significativamente a eficiência do tratamento de efluentes e permitindo o reuso da água para novos ciclos de cultivo.

Produção de compostos antimicrobianos e controle do Vibrio
Além de tratar os efluentes, o Durusdinium glynnii também mostrou forte atividade antimicrobiana contra bactérias do gênero Vibrio, um patógeno comum na carcinicultura. Os extratos da biomassa do dinoflagelado cultivado com efluente de camarão inibiram o crescimento de Vibrio parahaemolyticus e Vibrio vulnificus, com zonas de inibição de 10 mm e 11,7 mm, respectivamente. O carotenoide peridinina, presente nos extratos, mostrou-se um dos compostos mais promissores para o controle de vibrioses.
Esse tipo de ação é de extrema importância, considerando que algumas espécies de Vibrio apresentam resistência a antibióticos tradicionais. Além de contribuir para a sustentabilidade do setor, o uso de compostos naturais como a peridinina pode representar uma alternativa mais segura e econômica ao uso de antibióticos.

Economia circular e potencial para aquicultura
O uso de Durusdinium glynnii em sistemas de aquicultura de economia circular promove a sustentabilidade ambiental e otimiza o uso de recursos. Com essa tecnologia, resíduos da aquicultura são transformados em recursos valiosos, ajudando a reduzir custos e minimizar impactos ambientais.
A produção de biomassa com 75% de efluente mostrou o melhor custo-benefício, oferecendo uma produção mais ágil e custos operacionais reduzidos. Esse modelo pode ser ampliado para outros segmentos da aquicultura, incentivando uma produção mais sustentável e eficiente. Os resultados do estudo indicam que Durusdinium glynnii não apenas melhora a qualidade dos efluentes aquícolas, mas também gera compostos antimicrobianos eficazes no controle de vibrioses na criação de camarões.
Essa abordagem promove a saúde e produtividade da aquicultura, ao mesmo tempo em que se alinha aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU, reforçando a resiliência do setor diante dos desafios ambientais e econômicos atuais.












