O experimento aponta novas oportunidades para o desenvolvimento da maricultura na região, promovendo renda para ribeirinhos, pescadores artesanais e comunidades tradicionais.
A pesquisa comparou o crescimento da ostra nativa Cassostrea brasiliana (ostra do mangue) com a ostra exótica Cassostrea gigas (ostra do Pacífico), amplamente cultivada em várias partes do mundo. O experimento foi conduzido em Lajinha, distrito de Santa Cruz, utilizando um sistema de cultivo long-line no estuário do Rio Piraquê-Mirim.
Após 172 dias de cultivo, a ostra nativa demonstrou resultados superiores, atingindo o tamanho comercial de 70 mm, com taxas de crescimento e sobrevivência maiores do que as da ostra japonesa.
“A ostra exótica japonesa já tem pacote tecnológico de cultivo e melhoramento genético, e apresentou ótimos resultados zoCultivo de ostra nativaotécnicos em cultivos pretéritos nessa mesma área. Já a ostra nativa é estudada há bem pouco tempo e, em geral, demora mais tempo para crescer. Por isso, o resultado obtido é muito significativo”, comentou Marcia Vanacor, pesquisadora responsável pelo projeto.
Desenvolvimento da maricultura sustentável
Os resultados promissores obtidos com a Cassostrea brasiliana abrem caminho para novos estudos e sistemas de cultivo, que podem acelerar o desenvolvimento da maricultura sustentável no Espírito Santo. Marcia Vanacor enfatiza a importância de políticas públicas e investimentos que revitalizem a cultura de ostras na região.
“É importante estimular novos investimentos e políticas públicas destinadas à revitalização da cultura de ostras no Espírito Santo, que teve um bom momento nas décadas de 1980 e 1990, mas não prosperou depois disso”, afirmou a pesquisadora.
Desafios ambientais e sustentabilidade
Antes de expandir o cultivo, é crucial avaliar a presença de metais pesados nas ostras, devido ao impacto dos resíduos de minério de ferro decorrentes do rompimento da barragem em Mariana (MG), que afetou o estuário do Rio Piraquê-Mirim.
Parcerias e apresentação dos resultados
O estudo fez parte do projeto “Cultivo multitrófico de peixes, moluscos e macroalgas em comunidades tradicionais como ferramenta de desenvolvimento sustentável da maricultura”, financiado pela Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) e pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), com a colaboração da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que forneceu as sementes de ostras. Os resultados foram apresentados no 20º Congresso Latino-Americano de Ciências do Mar e 8º Congresso Brasileiro de Oceanografia, realizados em Santa Catarina.
Informações da Coordenação de Comunicação e Marketing do Incaper.












