A Alianima, organização dedicada ao bem-estar animal, acaba de lançar o Observatório do Peixe, uma plataforma inovadora que visa monitorar e melhorar as condições de bem-estar dos peixes no Brasil.
A iniciativa busca aumentar a conscientização e incentivar práticas sustentáveis em todo o setor aquícola, destacando a necessidade urgente de transformar a forma como a produção de peixes é conduzida no país.
O relatório do Observatório do Peixe oferece uma análise detalhada da piscicultura e da pesca, identificando diversos desafios que impactam diretamente o bem-estar dos peixes.
Entre os problemas mais críticos estão a superlotação nos tanques de cultivo, a falta de práticas adequadas de manejo e transporte, além de métodos de abate que causam sofrimento prolongado aos animais.
Segundo o estudo, há uma carência de protocolos padronizados para garantir a qualidade de vida dos peixes ao longo de todo o ciclo produtivo.
De acordo com a secretária Nacional de Aquicultura do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), Tereza Nelma, o uso de animais aquáticos nos cultivos traz responsabilidade ética de garantir o bem-estar. Promovendo o desenvolvimento sustentável da aquicultura e a competitividade de seus produtos.
Produção de peixes no Brasil
O Brasil se destaca como um dos maiores produtores de peixes do mundo, com a produção de peixes cultivados alcançando quase 890 mil toneladas em 2023, segundo dados da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR).
Entretanto, o relatório aponta que, embora o setor aquícola tenha crescido 31% no último ano, ainda há muito a ser feito para garantir que esse crescimento seja acompanhado por práticas que respeitem o bem-estar dos peixes.
A tilápia é a espécie mais cultivada no Brasil, representando cerca de 65% da produção total. Contudo, frequentemente ocorre em condições de superlotação e em ambientes monótonos, com falta de estimulação adequada, o que aumenta o estresse dos peixes e compromete sua saúde.
O impacto dessas práticas é sentido diretamente na qualidade dos produtos, afetando tanto o mercado interno quanto o internacional.

Outro ponto importante abordado é a crescente evidência científica de que os peixes são animais sencientes, capazes de sentir dor, medo e outras emoções.
No entanto, essa consciência ainda não está amplamente disseminada no setor produtivo, segundo a Dra. Eliane Gonçalves de Freitas, especialista em comportamento animal na Unesp.
A Alianima propõe melhorias significativas no manejo desses animais, desde o uso de sistemas que simulem o ambiente natural dos peixes até a adoção de métodos humanitários para abate, garantindo que os peixes não sofram durante o processo.
Propostas para o futuro
O Observatório do Peixe não apenas identifica problemas, mas também sugere soluções práticas para o setor aquícola. Entre as recomendações do relatório estão:
- Melhoria na qualidade da água: Monitoramento constante dos parâmetros de oxigênio, pH e amônia, essenciais para a saúde dos peixes.
- Alimentação adequada: Ajuste da quantidade e distribuição de ração de acordo com a fase de vida dos peixes, evitando subalimentação ou superalimentação que prejudicam tanto o bem-estar dos peixes quanto o ambiente.
- Enriquecimento ambiental: Introdução de elementos no habitat que simulem o ambiente natural, como tocas e substratos, que reduzem o estresse dos peixes.
- Transporte eficiente: Uso de métodos que minimizem o sofrimento durante o transporte, como a anestesia antes do manejo e o monitoramento rigoroso da qualidade da água.
Além disso, o relatório destaca a importância de melhorar a legislação brasileira para incluir o bem-estar dos peixes em todas as fases da produção.
Acesse o relatório completo em: https://alianima.org/materiais/observatorio-do-peixe-1a-edicao/












