O Brasil tem intensificado os esforços para incluir a aquicultura em seu planejamento espacial marinho (PEM), uma ferramenta essencial para orientar o uso sustentável dos recursos oceânicos e das áreas costeiras. Durante um workshop promovido pela FAO e pelo Instituto Italiano para a Proteção e Pesquisa Ambiental (Ispra), realizado em Roma de 29 a 31 de outubro, representantes de 15 países se reuniram para discutir os desafios e as oportunidades de aprimorar o planejamento espacial voltado à aquicultura.
Lucíola Magalhães, chefe-adjunta de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Territorial, apresentou as ações do governo brasileiro para promover a sustentabilidade na aquicultura. Com experiência no planejamento espacial, Magalhães destacou como o Brasil vem utilizando dados espaciais para apoiar a tomada de decisão e facilitar o crescimento da aquicultura de forma ordenada. Segundo ela, a atividade aquícola no Brasil já se estende por 3.486 municípios (ou 63% dos municípios brasileiros), alcançando um montante de R$ 10,15 bilhões.
“Esses resultados reforçam que a atividade aquícola no Brasil é, em sua maioria, praticada no interior”, afirmou Lucíola, destacando também a relevância da produção costeira em estados como Ceará, Rio Grande do Norte e Pernambuco.
Ela também ressaltou que, entre 2016 e 2023, o setor teve um crescimento significativo, com aumento de 39% na aquicultura em geral e cerca de 200% na produção de camarão, conforme dados de instituições como Peixe BR e Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCCAM).

Estratégias para expansão da aquicultura sustentável
O workshop abordou cinco áreas prioritárias para o planejamento espacial da aquicultura: governança, suporte de conhecimento, critérios para alocação de espaço, capacitação e conservação marinha. Cada uma dessas áreas foi discutida com o objetivo de definir ações concretas, responsáveis pela execução e estratégias para o engajamento de stakeholders. O resultado será um documento orientador da FAO, que auxiliará os países na alocação sustentável de áreas destinadas à aquicultura.
Tecnologia e dados geoespaciais
Magalhães apresentou o SITE Aquicultura, um sistema desenvolvido pela Embrapa Territorial que organiza e compartilha dados da cadeia produtiva da aquicultura. “A Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais (Inde) permite integrar e disponibilizar informações essenciais para a gestão da aquicultura,” explicou ela, destacando como o Brasil mapeia e analisa o desenvolvimento do setor em mais de 3.486 municípios.
Além disso, o sensoriamento remoto foi identificado como uma ferramenta essencial para mapear pequenos produtores e áreas costeiras de interesse, reforçando a gestão territorial e a sustentabilidade ambiental. A cientista destacou que cerca de 38% dos viveiros aquícolas mapeados estão localizados em áreas de proteção ambiental, sendo necessário equilibrar o uso produtivo com a conservação.
O alinhamento entre os países no uso de modelagem espacial de dados e plataformas web foi um dos destaques do workshop.
Com informações da Assessoria de Imprensa da Embrapa Territorial.












