Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) estão explorando o potencial da lentilha-d’água (Lemna minor), uma planta aquática comumente encontrada em rios e lagos, como fonte de biocombustível. Embora já amplamente utilizada na criação de peixes para remover poluentes da água, essa planta agora desperta interesse como uma alternativa sustentável para a produção de energia.
A pesquisa é conduzida pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unesp e faz parte de um projeto premiado em economia circular e biotecnologia pela Organização das Nações Unidas (ONU).
O estudo faz parte da dissertação de mestrado de Carlos Takashi, intitulada “Análise de Potencial de Produção de Biocombustíveis Utilizando a Biomassa de Lentilha D’água (Lemna minor)”, orientada pelo professor Levi Pompermayer Machado e defendida em setembro deste ano.
Segundo Takashi, a ideia surgiu após o professor Levi utilizar a planta em uma pesquisa de biorremediação, na qual a lentilha-d’água absorvia poluentes da água. “A partir da biomassa residual gerada, identificamos a oportunidade de utilizá-la para desenvolver biocombustíveis, conectando os dois processos sob o conceito de economia circular”, explicou o pesquisador.

Soluções sustentáveis e simples
O projeto visa propor soluções acessíveis para propriedades rurais, evitando tecnologias complexas e focando em um biocombustível com processos simples. O objetivo é que pequenos agricultores possam aproveitar os resíduos da planta para gerar energia, de forma prática e sustentável.
A pesquisa começou com a coleta de biomassa de lentilha-d’água em uma lagoa de tratamento de efluentes na cidade de Registro, São Paulo, onde o professor Levi já havia implementado projetos de biorremediação.
Após o pré-tratamento da biomassa, foram adicionados microrganismos que convertem a matéria-prima em biogás. O processo foi monitorado em diferentes momentos e revelou uma produção de 78% de metano e 42% de hidrogênio, comprovando a eficiência da transformação.
“O interessante desse projeto é que ele pode ser facilmente implementado em áreas rurais, promovendo a autossuficiência energética dos produtores”, explicou Levi Machado. “Acredito que o biometano pode ser utilizado em geradores de energia elétrica, oferecendo uma solução de baixo custo para essas comunidades.”
A equipe também pretende expandir sua pesquisa para novas áreas, incluindo o uso da lentilha-d’água na produção de biofertilizantes e ração animal, além de aprimorar as tecnologias de biorremediação. Esses projetos são desenvolvidos com foco em inovação e empreendedorismo de base científica e tecnológica, dentro da incubadora de empresas.
Informações ESTADÃO.












