Uma nova pesquisa conduzida pela bióloga Patricia Dias, mestre em Aquicultura e Desenvolvimento Sustentável pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e doutoranda em Biologia Animal na Unicamp, apresenta uma alternativa sustentável para a piscicultura. O estudo investiga o uso de folhas de amoreira (Morus alba) como ingrediente em rações para peixes, com foco nas espécies tilápia (Oreochromis niloticus) e pacu (Piaractus mesopotamicus), duas das mais cultivadas no Brasil.
Folhas de amoreira: Um ingrediente sustentável para rações de peixes
Patricia tem se dedicado à pesquisa de ingredientes de origem vegetal para melhorar o crescimento dos peixes, fortalecer o sistema imunológico contra infecções bacterianas e reduzir o impacto ambiental causado pelos efluentes das pisciculturas. A farinha de folha de amoreira, que já é amplamente utilizada na alimentação do bicho-da-seda, destaca-se pela riqueza nutricional, com altos níveis de proteína, ácidos graxos e propriedades anti-inflamatórias.
Em sua pesquisa, as folhas utilizadas foram doadas por produtores de bicho-da-seda após o término da produção, promovendo a reutilização de materiais que seriam descartados, em uma abordagem que une sustentabilidade e economia. Os resultados indicaram que a farinha de amoreira possui um coeficiente de digestibilidade aparente (CDA) de 94% para proteína bruta na dieta da tilápia, o que sugere alta eficiência na absorção de nutrientes.
Benefícios nutricionais da farinha de folha de amoreira para tilápias e pacus

Além disso, a inclusão de até 20% da farinha nas dietas dos peixes não comprometeu o desempenho das tilápias, conforme descrito em artigos científicos publicados em revistas especializadas. Atualmente, Patricia expande sua pesquisa para o pacu, com resultados preliminares promissores sobre a digestibilidade de aminoácidos essenciais dessa espécie.
Pesquisa mostra digestibilidade e eficiência da farinha de amoreira
Em estudos recentes, juvenis de pacu alimentados com uma dieta contendo 6% de farinha de amoreira mostraram maior resistência à bactéria Aeromonas hydrophila, uma das principais causadoras de doenças bacterianas em peixes. Os resultados apontam para uma resposta imunológica mais robusta e menor estresse nos peixes expostos ao desafio bacteriano.
Resistência a doenças em pacus alimentados com farinha de amoreira
A farinha de amoreira também apresentou baixo risco de toxicidade para organismos não-alvos, como o microcrustáceo Daphnia magna, utilizado em testes de ecotoxicologia.
Esses avanços foram apresentados em congressos especializados, incluindo o Aquaciência (Congresso brasileiro de Aquicultura). Além disso, foi detalhado no International Fish Congress & Fish Expo Brasil 2024, onde Patricia destacou o potencial da folha de amoreira como uma alternativa sustentável e segura na aquicultura.












