O Monterey Bay Aquarium (MBA) reuniu 56 especialistas, incluindo pesquisadores chilenos da Universidade Santo Tomás, Instituto Milenio em Socioecologia Costeira (SECOS), Universidade Andrés Bello e Centro Incar, em uma série de workshops sobre Avaliação Antimicrobiana na Produção Aquícola Global (AGAP). O objetivo foi desenvolver um plano de ação com recomendações para enfrentar o uso de antibióticos na aquicultura, conforme apresentado em um novo estudo.

Essa iniciativa nasceu da necessidade de preencher lacunas de dados e melhorar a compreensão sobre o impacto dos antibióticos em diferentes níveis da aquicultura. Para isso, o MBA convocou um grupo de especialistas para discutir soluções e sugerir ações coordenadas entre diversos setores envolvidos.
O estudo foi publicado na revista Antibiotics sob o título “Towards Sustainable Antibiotic Use in Aquaculture and Antimicrobial Resistance: Participatory Experts’ Overview and Recommendations” e é o resultado de diversos workshops voltados para promover a colaboração global e o compartilhamento de conhecimentos sobre o uso de antibióticos na aquicultura. O evento online foi uma oportunidade importante para instituições e especialistas de todo o mundo trocarem ideias e criarem redes de contato.
Objetivos da iniciativa
A principal meta foi avaliar o conhecimento atual sobre o uso de antimicrobianos na aquicultura, identificar lacunas e criar estratégias para estabelecer indicadores ecológicos relevantes e definir limites para avaliação. Outro objetivo foi mapear fatores socioeconômicos e mecanismos de governança eficazes, fundamentais para a implementação de práticas de monitoramento em diferentes setores e regiões, visando à sustentabilidade da aquicultura.
Além disso, os especialistas discutiram maneiras de melhorar a compreensão sobre a relação entre o uso de antibióticos na aquicultura e a resistência antimicrobiana, explorando ferramentas de monitoramento que possam ser adaptadas e aplicadas globalmente.
Principais resultados
O estudo resultou em um plano de ação que prioriza pesquisas sobre o uso de antibióticos na aquicultura, os fatores socioeconômicos que influenciam esse uso e a necessidade de regulamentações mais sólidas e transparentes para orientar produtores e oferecer capacitação sobre o uso de antimicrobianos. Também foi destacada a importância do acesso a veterinários e agentes de extensão para educação e assistência técnica.
Os autores do estudo ressaltaram que “apesar dos esforços diligentes, algumas limitações podem ter reduzido a participação de mais especialistas e deixado de abordar alguns temas importantes, mas necessários à discussão.” Eles também destacaram que uma vigilância eficaz é crucial para entender melhor a resistência antimicrobiana (RAM) e monitorar o progresso das metas estabelecidas, identificar problemas emergentes e avaliar os impactos nocivos da resistência microbiana.
Os especialistas discutiram que, embora os antimicrobianos afetem principalmente microorganismos, é importante entender como a alteração das comunidades microbianas pode impactar outros organismos nos ecossistemas aquáticos. “Estudos laboratoriais sobre bactérias são diferentes das avaliações de impacto ambiental nos ecossistemas aquáticos, dificultando a extrapolação dos resultados para cenários reais,” explicaram.
A discussão também revelou que organismos não-alvo, como cianobactérias e microalgas de água doce, podem ser afetados pelos antimicrobianos, como sugeriu Ve Van et al. “O risco ecológico dos antimicrobianos pode ser maior nos ecossistemas de água doce em comparação aos marinhos, devido às diferenças no volume de dispersão dos antibióticos e ao maior acesso dos humanos à água doce, o que eleva a probabilidade de contato”, sugeriram os pesquisadores. Eles acrescentaram que, na ausência de dados adequados, deve-se incorporar um modelo prospectivo de avaliação de risco.
Por fim, os especialistas concordaram que não existe, atualmente, um modelo universal de avaliação de risco para exposição a bactérias resistentes a antimicrobianos em ambientes cobertos pelo conceito de “Uma Saúde”, que inclui ecossistemas, animais e humanos. Entretanto, a Dinamarca foi citada como um caso de estudo interessante, com dados bem documentados sobre três a quatro classes de antibióticos, suscetibilidade e tipos de patógenos, algo raro em outros países consumidores de antibióticos.
Para mais informações, acesse o estudo completo aqui. https://www.researchgate.net/publication/384139760_Towards_Sustainable_Antibiotic_Use_in_Aquaculture_and_Antimicrobial_Resistance_Participatory_Experts’_Overview_and_Recommendations












