A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), se reuniu na última segunda-feira (9) com representantes dos Polos de Agricultura Irrigada para discutir uma possível mudança no horário de desconto da tarifa de energia elétrica para aquicultura.
O encontro foi convocado pela diretora de Irrigação do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), Larissa Rego, e ocorreu na sede do Ministério de Minas e Energia (MME) em Brasília.
Desde 1992, a tarifa especial para aquicultura se aplica no período noturno, das 21h30 às 6h. Durante a reunião, o MME propôs alterar esse horário para o intervalo das 11h às 15h.
A assessora técnica da CNA, Kalinka Koza, afirmou que a demanda por energia elétrica na piscicultura e carcinicultura ocorre majoritariamente no período noturno, pois durante o dia acontece o processo de fotossíntese pelo fitoplâncton. Já à noite, quando não há luz solar, a produção primária para e há a necessidade de oxigenação da água por vias artificiais, com o uso de aeradores.
“A manutenção do desconto da tarifa de energia no período noturno é imprescindível para a competitividade do setor aquícola, bem como é de alto interesse ampliar o período de desconto para o dia, o que permitiria expandir os empreendimentos com a mesma capacidade de bombeamento, sem onerar de forma proibitiva o custo da energia”, completou Kalinka.
Já Jordana Girardello, assessora técnica da Comissão Nacional de Irrigação da CNA, explicou que, no horário proposto (11h às 15h), existe pico de evapotranspiração das plantas, podendo gerar ineficiência nos sistemas, em algumas situações. “A flexibilização do horário noturno para irrigação pode atender alguns casos específicos, como algumas fruticulturas em região com solo arenoso e sistema de gotejamento. Por isso não existe uma regra, vai depender de uma composição de variáveis como solo, clima, sistema, cultura, além do manejo do produtor”.
Ela também defendeu a manutenção do horário noturno atual, destacando que muitos produtores investiram em sistemas de energia fotovoltaica e adaptaram seus sistemas de irrigação para aproveitar a tarifa reduzida durante a noite. “Muitos produtores geram energia fotovoltaica durante o dia e utilizam a energia regulada no período da noite. Então todo o sistema foi pensado e projetado com payback de longo prazo nesse formato”.
A assessora sugeriu que, em vez de alterar o horário de desconto, poderia ser vantajoso permitir que os produtores compitam no mercado livre para adquirir energia mais barata no período diurno, aproveitando o excesso de energia, especialmente da fotovoltaica. Isso permitiria um período adicional de energia a um custo reduzido, ajudando a reduzir os custos de produção e, consequentemente, o preço dos alimentos.
Os debates foram acompanhados pelo presidente do Sindicato Rural de Pinheiros, Érico Patrício Orletti, e Thiago Orletti, presidente da Associação de Irrigantes do Espírito Santo e coordenador do Polo de Agricultura Irrigada do Estado.
Informações da Assessoria de Comunicação CNA.






