O Projeto Piscicultura Ornamental 4.0, desenvolvido no Campus Juiz de Fora, está transformando a criação de peixes ornamentais com a tecnologia de Internet das Coisas (IoT). Sob a coordenação do professor Tales Pulinho Ramos, a iniciativa visa capacitar pequenos produtores a monitorar e controlar remotamente os parâmetros essenciais da piscicultura, resultando em uma produção mais eficiente e sustentável.
“Ao integrar a IoT na piscicultura ornamental, oferecemos aos pequenos produtores uma maneira de otimizar suas operações, reduzir custos e aumentar a produtividade”, afirma Ramos. A tecnologia emprega sensores para medir parâmetros críticos, como temperatura da água, pH, oxigênio dissolvido, e mais, permitindo o monitoramento contínuo e em tempo real das condições dos tanques.
Tecnologia avançada para monitoramento e controle
Os sensores instalados nos tanques transmitem dados para um microcontrolador via ESP32, utilizando o protocolo LoRa para enviar informações ao banco de dados central através do MQTT. “Essas tecnologias garantem a confiabilidade e eficiência na transmissão dos dados, mesmo em áreas rurais com acesso limitado à internet”, destaca Ramos.
Os dados coletados são processados na nuvem, onde um algoritmo de regressão prevê valores futuros, como temperatura e pH, com base no histórico da produção. “Esse algoritmo nos permite antecipar problemas e ajustar as condições de cultivo proativamente, mantendo a saúde dos peixes e a qualidade da produção”, explica o professor.
Benefícios diretos para pequenos piscicultores
A ferramenta traz benefícios significativos para pequenos produtores, que muitas vezes têm recursos limitados. “Com acesso a tecnologia avançada, esses produtores podem competir com grandes empresas, reduzir desperdícios e aumentar a produtividade”, observa Ramos. A tecnologia também facilita o crescimento saudável dos peixes, permitindo o acesso a mercados mais lucrativos e promovendo a sustentabilidade econômica a longo prazo.
Sustentabilidade e impacto ambiental
O projeto também aborda questões ambientais importantes. O monitoramento contínuo da qualidade da água ajuda a prevenir a poluição e o uso excessivo de produtos químicos, promovendo uma gestão mais sustentável dos recursos hídricos. “Estamos criando um modelo de produção eficiente e ambientalmente responsável”, enfatiza Ramos.
Além disso, a criação controlada de peixes ornamentais reduz a pressão sobre as populações selvagens e contribui para a preservação da biodiversidade. “Essa abordagem beneficia tanto os produtores quanto os ecossistemas locais, preservando a fauna aquática”, comenta o professor.
Perspectivas futuras e expansão tecnológica
As perspectivas para o Projeto Piscicultura Ornamental são promissoras. A pesquisa está explorando a integração de inteligência artificial e machine learning para prever tendências e anomalias nos parâmetros de criação. “Essas tecnologias permitirão ajustes ainda mais precisos e otimização da eficiência”, afirma Ramos.
Há planos para expandir a aplicação da ferramenta para outras áreas da aquicultura, como a criação de peixes comestíveis, moluscos e crustáceos. “A ferramenta tem um potencial de aplicação muito amplo e poderá promover práticas mais sustentáveis em toda a indústria”, conclui o professor.
Com o avanço do Projeto Piscicultura Ornamental, pequenos produtores em todo o Brasil terão acesso a uma tecnologia inovadora que combina eficiência econômica com responsabilidade ambiental, estabelecendo um modelo de práticas aquáticas responsáveis globalmente.
Com informações da Assessoria de Comunicação Social e Marketing do Instituto Federal Sudeste de Minas Gerais.












