Nesta última quarta-feira, 3 de julho, Danielle de Bem, chefe-geral da Embrapa Pesca e Aquicultura (Palmas-TO), participou de uma audiência pública no Senado Federal dedicada à macroalga Kappaphycus alvarezzi. Embora ainda subutilizada no Brasil, essa alga marinha possui um vasto potencial de aplicação.
Diversas Aplicações e Benefícios
Danielle destacou as múltiplas utilizações da Kappaphycus alvarezzi, que variam desde a indústria farmacêutica e alimentícia até usos como bioestimulante e biocombustível. Além disso, a alga proporciona benefícios ecológicos significativos, incluindo a criação de habitats favoráveis, a fixação de carbono (ajudando a mitigar as mudanças climáticas), a filtragem de nutrientes como fósforo e nitrogênio (combatendo a eutrofização), e a biorremediação, melhorando a qualidade do solo e a resistência das plantas a doenças.
Cenário Atual e Potencial Econômico
A chefe-geral da Embrapa Pesca e Aquicultura também apresentou dados do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) sobre a situação atual da Kappaphycus alvarezzi no Brasil. As áreas aptas para cultivo, autorizadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), incluem a região entre a Baía de Sepetiba, no Rio de Janeiro, e Ilha Bela, em São Paulo, além da área entre Itapoá e Jaguaruna, em Santa Catarina.
Quanto ao potencial produtivo e de retorno financeiro, os dados do ministério revelam que o Rio de Janeiro tem uma capacidade de produção anual de 48,6 mil toneladas, gerando R$ 243 milhões. Em Santa Catarina, a produção pode chegar a 82,9 mil toneladas por ano, com um retorno de R$ 232 milhões, enquanto São Paulo tem um potencial de 43,9 mil toneladas anuais, rendendo R$ 198 milhões. Portanto, as áreas atualmente autorizadas para cultivo somam um potencial de retorno financeiro superior a R$ 670 milhões por ano.
Desenvolvimento de Propostas de Pesquisa
Danielle mencionou que diversas instituições estão colaborando na elaboração de propostas de pesquisa para fomentar a cadeia nacional de produção, comercialização e consumo de Kappaphycus alvarezzi. Ela enfatizou a importância de criar uma cadeia integrada que beneficie produtores, sistemas de produção e o meio ambiente, alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.
Durante a audiência, representantes dos três estados que cultivam Kappaphycus alvarezzi discutiram seus projetos. David Campos, da Embrapa Solos (Rio de Janeiro-RJ), mencionou oito projetos para o estado. Valéria Cress Gelli, do Instituto de Pesca de São Paulo, falou sobre seis projetos planejados. Alex Alves dos Santos, da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), descreveu onze projetos para Santa Catarina. O valor total solicitado para os 25 projetos ultrapassa R$ 12 milhões.
O senador Jorge Seif (PL-SC), que presidiu a audiência, convocou seus colegas do Parlamento a apoiar o financiamento das pesquisas, destacando a enorme potencialidade econômica da macroalga.
Também participaram da audiência pública Leonardo Cabral Costa, do Sindicato Rural de Florianópolis; Maulori Cabral, professor da UFRJ; e Dárlio Teixeira, da UFRN.
A sessão foi promovida pela Comissão de Agricultura e Reforma Agrária e contou com requerimentos dos senadores Jorge Seif (PL-SC), Flavio Azevedo (PL-RN) e Hamilton Mourão (Republicanos-RS). Para assistir à gravação (a partir dos 25 min 48 seg), acesse: https://www.youtube.com/watch?v=FJ9z3p7zCbU .
Informações da Assessoria de Imprensa da Embrapa.












