Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) revelou um avanço significativo no processo de masculinização de tilápias, utilizando o sistema de bioflocos (BFT) que reduz consideravelmente a concentração de metiltestosterona (MT) na ração, promovendo um uso mais responsável deste hormônio.
Contexto e Objetivos do Estudo
A masculinização de tilápias é uma prática comum na piscicultura para evitar a reprodução precoce e garantir lotes uniformes de peixes, essencial para o crescimento e produção. Tradicionalmente, esse processo é realizado em viveiros, utilizando altas doses de MT na dieta dos alevinos. Contudo, essa prática pode levar à liberação de resíduos hormonais no meio ambiente, causando potenciais riscos ecológicos.
Este estudo buscou avaliar a eficácia de diferentes concentrações de MT na masculinização da tilápia em um sistema fechado de bioflocos, que oferece maior controle de temperatura e utiliza menos água, minimizando a geração de efluentes.
Metodologia
Os pesquisadores realizaram experimentos com larvas de tilápia em um sistema de bioflocos, submetendo-as a diferentes concentrações de MT na dieta (0, 30, 40, 50 e 60 mg por kg de ração) por um período de 28 dias. Após o tratamento hormonal, a água dos tanques foi completamente substituída para garantir a eliminação dos resíduos hormonais.
Principais Resultados
Os resultados mostraram que o tratamento sem hormônio apresentou uma taxa de 73,6% de machos, enquanto os tratamentos com hormônio alcançaram taxas superiores a 99%, significativamente maiores que o controle. Além disso, não foram detectados resíduos de MT na água 12 horas após a última alimentação contendo hormônio.
A principal descoberta foi que é possível realizar a masculinização com uma concentração de apenas 30 mg de MT por kg de ração, reduzindo pela metade a dosagem comumente utilizada. Esta redução é crucial para diminuir os impactos ambientais, uma vez que o sistema de bioflocos impede a liberação de hormônios no meio ambiente.
Conclusão
O estudo demonstra que a masculinização da tilápia em sistemas de bioflocos é uma alternativa viável, reduzindo a necessidade de altas concentrações de hormônios e reduzindo os riscos de contaminação ambiental. Esta pesquisa oferece uma nova abordagem para a piscicultura global, promovendo práticas mais seguras e ambientalmente responsáveis.
Artigo
O estudo intitulado “Reduction of methyltestosterone concentration in feed during masculinization of Nile tilapia (Oreochromis niloticus) in biofloc system” foi publicado na revista internacional Aquaculture e está disponível para leitura no link: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0044848624007142?casa_token=00QMqfGO3n0AAAAA:myeDCIFPhQUlvxtCdZ5_cpM2Cq_ovbiE2U0zsv-1jKnPO54d5UMRIF2v9Vz4zcEAYy7fkUZi












