Com carne de textura macia e sabor suave, a tilápia tem conquistado espaço no cardápio dos brasileiros, distanciando-se do tradicional sabor dos peixes de água salgada e doce.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um em cada três peixes consumidos no Brasil é tilápia. A praticidade e os benefícios à saúde também contribuem para o aumento de sua popularidade.
Os nutricionistas recomendam a inclusão de pescados na alimentação pelo menos duas vezes por semana, e a tilápia tem sido uma escolha frequente.
Caroline Berenhauser, contadora de 39 anos, é um exemplo. “Eu não como carne vermelha e gosto da tilápia porque é leve e saudável. Às vezes faço iscas empanadas, sempre com pouco azeite”, disse em entrevista ao Agro Estadão.

Além de ser uma opção leve, a tilápia é rica em proteínas e minerais, o que a torna ideal para quem busca ganhar massa magra ou perder peso.
A nutricionista e pós-doutoranda da USP, Jessica Levy, ressalta que “100g de filé de tilápia contêm 90 calorias e 18,5 gramas de proteína, enquanto a mesma porção de alcatra possui 244 calorias e 31,9g de proteína”. Ela também destaca que estudos apontam que o consumo de pescados pode contribuir para o desenvolvimento cerebral e ajudar na redução do risco de doenças como Alzheimer, depressão e problemas cardiovasculares.
Tilápia: A proteína que mais cresce no mundo
De acordo com a Food and Agriculture Organization (FAO), a tilápia é a proteína com maior crescimento global, com aumento de 3,1% de 2022 para 2023.
No Brasil, a espécie representa 65% da produção de peixes, gerando uma receita de R$ 9 bilhões em 2023. Com 887 mil toneladas produzidas, o Brasil ocupa a quarta posição mundial em produção de tilápia, atrás de China, Indonésia e Egito.
O presidente da Peixe BR, Francisco Medeiros, reforça o crescimento contínuo da produção de tilápia. “Nos últimos dez anos, a produção cresceu 10,3% ao ano. Nenhuma outra proteína animal teve esse resultado”, afirmou ao Agro Estadão.
A tilápia brasileira já é exportada para 48 países, sendo consumida em 140. Medeiros observa que “a tilápia se tornou uma commodity, e os produtores brasileiros, já experientes na criação de aves e suínos, migraram facilmente para a tilápia, um negócio rentável”.
Mercado promissor
Com grande potencial para o mercado internacional e nacional, a tilápia é uma espécie fácil de produzir. Alexandre Caetano, pesquisador da Embrapa, explica que “a tilápia precisa basicamente de água e alimento”, e o Brasil dispõe de recursos naturais, como clima adequado e abundância de água, para sustentar a criação dessa espécie.
A simplicidade da criação é uma vantagem adicional. Como a tilápia se reproduz naturalmente, alguns produtores se especializaram na produção de alevinos, como é o caso de Evandro Schmitt, que abastece grandes criadouros em estados como São Paulo, Mato Grosso e Santa Catarina.
Com isso, diante do cenário de crescimento, a questão levantada é se a tilápia pode competir com o frango, que hoje é a proteína mais consumida no Brasil, com um consumo per capita de 40 kg, enquanto o de pescado é de apenas 10 kg. Francisco Medeiros acredita que sim: “Daqui 20 ou 30 anos, provavelmente a tilápia vai competir com o frango”.
O pesquisador da Embrapa também vê potencial, embora ressalte que o ciclo de produção da tilápia (cinco a seis meses) ainda é mais longo do que o do frango (oito a 12 semanas). Caetano pontua que ainda há espaço para melhorar a eficiência do crescimento da tilápia, especialmente com o avanço das pesquisas em melhoramento genético.
Embora o frango ainda tenha vantagens econômicas, o futuro da tilápia parece promissor, com a espécie conquistando cada vez mais espaço no mercado de proteínas.
Fonte: https://agro.estadao.com.br/economia/a-tilapia-sera-o-novo-frango












