Na pesquisa publicada na “Reviews in Aquaculture” intitulada “Glycerol supplementation in farmed fish species: A review from zootechnical performance to metabolic utilisation”, foi investigado o potencial do glicerol como ingrediente dietético na aquicultura e seu efeito no desempenho dos peixes.
O glicerol é um álcool simples de baixo peso molecular, solúvel em água, incolor, inodoro, viscoso, higroscópico, na maioria das vezes não tóxico e de sabor doce. Participa de vários processos metabólicos e compõe a estrutura de muitos óleos vegetais e gorduras animais.
Ele é um subproduto abundante da produção de biodiesel e tem ganhado atenção devido ao seu preço e disponibilidade para aplicações comerciais potenciais, incluindo seu uso como ingrediente em alimentos para animais.
Embora a inclusão de glicerol na dieta possa oferecer energia e precursores metabólicos a baixo custo, os estudos reportam resultados inconsistentes sobre seus efeitos na digestibilidade de nutrientes, desempenho zootécnico e qualidade do produto.
Avanços recentes
Estudos recentes demonstraram que a suplementação de glicerol na dieta de peixes promove mudanças metabólicas, como alterações na gliconeogênese e/ou lipogênese, modificando a utilização de energia. Adicionalmente, foi sugerido que o glicerol reduz o catabolismo de proteínas, minimizando a excreção de nitrogênio e seu impacto ambiental, embora ainda não esteja claro seu impacto na retenção de proteínas. É importante considerar cuidadosamente o equilíbrio entre a palatabilidade do alimento e essas potenciais alterações metabólicas ao incorporar glicerol nos alimentos aquáticos.
Esta revisão destaca a necessidade de mais estudos para ampliar nossa compreensão do metabolismo do glicerol em peixes, pois ele não parece ser metabolizado tanto em espécies carnívoras quanto em onívoras.
Pesquisas futuras devem explorar os efeitos da suplementação de glicerol em peixes com diferentes hábitos alimentares e em estágios de desenvolvimento, bem como em diversas salinidades e temperaturas ambientais.
Os pesquisadores recomendaram obter mais informações sobre o impacto das impurezas e a otimização da inclusão de glicerol nos alimentos aquáticos para apoiar práticas de aquicultura sustentáveis e a utilização do glicerol como um recurso valioso.
Alguns resultados
Uma consideração crucial nos alimentos aquáticos é manter a consistência, coesão e atratividade do alimento através da incorporação de glicerol em um meio aquoso. Devido às suas propriedades viscosas, o glicerol dietético pode melhorar a flexibilidade, palatabilidade e coesão das dietas extrusadas. Isso também pode estar relacionado às suas propriedades higroscópicas e ação umectante, que permitem absorver e/ou manter a umidade da atmosfera, melhorando assim a retenção de água nos alimentos aquáticos.
Quanto à absorção e digestibilidade do glicerol, as aquaporinas (AQP) são proteínas canalizadoras de água que facilitam o transporte de água entre as células, ajudando os peixes a responder às mudanças ambientais. No entanto, algumas AQP, designadas como aquagliceroporinas, também podem transportar glicerol, favorecendo a transferência do tubo digestivo para a circulação sanguínea.
Em relação ao glicerol na dieta, crescimento e conversão alimentar, foi realizado um estudo com diferentes níveis de suplementação de glicerol que revelou que existe um limite na quantidade de glicerol que pode ser adicionada à dieta sem diminuir a taxa específica de crescimento (TCE) ou aumentar o índice de conversão alimentar (ICA) de algumas espécies de peixes. Em juvenis de robalo europeu, a TCE foi maior nos peixes alimentados com uma dieta suplementada com glicerol refinado a 2,5% do que a 5%, mas se manteve similar à dos peixes alimentados com uma dieta não suplementada.
Em tilápias, a suplementação de glicerol pode resultar em lipogênese indesejada quando os níveis excedem 10% da dieta, comprometendo a qualidade da carne e o desempenho zootécnico. Por outro lado, níveis entre 5% e 10% se mostraram promissores, permitindo o uso eficiente do glicerol sem impactos negativos significativos. Já o tambaqui demonstra maior tolerância, com suplementações de até 15% não afetando o desempenho zootécnico nem a qualidade da carne.
Leia a pesquisa completa aqui. https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/raq.12930






