Os sistemas de recirculação aquícola (RAS) têm ganhado popularidade por sua capacidade de reduzir o impacto ambiental e aumentar a sustentabilidade da produção. A alimentação exógena é a principal fonte de nutrientes em qualquer sistema aquícola, e a composição nutricional das dietas e as estratégias de alimentação podem influenciar significativamente as emissões geradas.
As dietas RAS são formuladas para promover a aglutinação e sedimentação das fezes, facilitando sua remoção durante o tratamento mecânico da água. Isso pode aliviar a carga sobre o biofiltro, melhorar a qualidade da água e reduzir as emissões de nitrogênio. No entanto, o uso dessas dietas pode exigir ajustes no design e na operação do sistema para garantir o desempenho ideal.
Uma pesquisa publicada na revista Fishes, intitulada “Dietas para RAS resultam em menor acúmulo de nitrogênio, fósforo e zinco em comparação com dietas tradicionais de fluxo contínuo”, destacou os possíveis benefícios e desvantagens ambientais do uso de dietas com características opostas em sistemas RAS, monitorando o desempenho biológico de pós-smolts de salmão do Atlântico.
O estudo comparou o desempenho de uma dieta adaptada ao RAS com uma dieta FTS, em um contexto de sistema de recirculação. O foco estava na acumulação de partículas, compostos nitrogenados, minerais e metais ao longo das diferentes fases do tratamento da água no RAS. Constatou-se que as dietas adaptadas para sistemas de recirculação melhoram a qualidade da água e a eficiência do sistema.
Detalhes do experimento
O experimento, com duração de quatro semanas, comparou os efeitos de uma dieta convencional de fluxo contínuo (FTS) e uma dieta experimental para sistemas RAS (ERAS) sobre o desempenho dos peixes, a qualidade da água e o impacto geral do sistema.
Seis RAS idênticos, cada um com volume total de 1.500 litros e tanques de cultivo cilíndricos de 1.000 litros, foram povoados com pós-smolts de salmão do Atlântico (Salmo salar), com peso médio de 199,7 ± 28 g, a uma densidade média de 30 kg/m³, chegando a aproximadamente 49 kg/m³ ao final do experimento.
As dietas ERAS foram formuladas para atender às características típicas de uma dieta para RAS, como maior estabilidade fecal e níveis reduzidos de proteína (−12%), mas com aumento no teor de gordura (+8%) para garantir níveis semelhantes de energia bruta (22–23 MJ/kg) em ambas as dietas. Os parâmetros de qualidade da água foram medidos individualmente.
“A acumulação total de minerais e metais foi analisada em diferentes partes do sistema no início e no final do experimento para ambas as dietas. Não houve diferenças no crescimento, fator de condição, taxa de conversão alimentar (FCR) ou sobrevivência dos peixes alimentados com as duas dietas”, relataram os autores.
Principais resultados
“O sistema que utilizou a dieta ERAS apresentou um pH significativamente mais alto (+1,2%) e maior alcalinidade (+17%), além de menor concentração de nitrogênio total de amônia (TAN) (−18%) e NO2− (−46%) em comparação à dieta FTS. O número de ativações do filtro de tambor também foi significativamente menor (−13%) com a dieta ERAS”, observaram os pesquisadores.
“Comparada à dieta FTS, a dieta ERAS apresentou menor probabilidade (−4%) de gerar partículas menores que 50 μm, e o RAS foi mais eficaz na remoção dessas partículas, resultando em uma menor ativação diária do filtro de tambor (22,1 ± 3,0 ativações, contra 25,5 ± 3,5 para a dieta FTS)”, destacaram.
Além disso, “a análise mineral mostrou uma acumulação significativamente menor de fósforo total (PT) (−90%) e fósforo dissolvido (FD) (−92%) nas unidades RAS que utilizaram a dieta ERAS em comparação àquelas que utilizaram a dieta FTS. Esses resultados ressaltam os benefícios de uma dieta adaptada a RAS em termos de qualidade da água e eficiência do sistema, com crescimento satisfatório e boa condição dos peixes”, concluíram os cientistas.
Embora ambas as dietas levem à acumulação de minerais e, eventualmente, à saturação da água, ficou evidente que a dieta adaptada para RAS tem uma taxa de acumulação mais baixa. O estudo conclui que uma dieta adaptada a sistemas de recirculação, que atenda aos requisitos energéticos das dietas comerciais de fluxo contínuo, melhora a qualidade da água e o desempenho do sistema, garantindo ao mesmo tempo crescimento adequado e boa condição dos peixes.
“A redução das emissões de nitrogênio e fósforo por meio de uma dieta adaptada ao RAS pode reduzir significativamente o impacto dos resíduos da indústria aquícola, aproximando os níveis de emissão aos padrões da indústria norueguesa. Esse estudo demonstra que a adaptação da dieta ao sistema de produção é crucial para reduzir a poluição local e promover o crescimento sustentável da aquicultura no futuro”, finalizaram os especialistas.
Leia a pesquisa completa aqui: https://www.mdpi.com/2410-3888/9/8/300












