As macroalgas marinhas desempenham um papel crucial no ecossistema global, contribuindo para a produção de oxigênio e o fornecimento de compostos bioativos amplamente utilizados nas indústrias alimentícia, farmacêutica e cosmética. No entanto, esses organismos enfrentam ameaças crescentes devido às mudanças climáticas. Para compreender esses impactos, a UFRN conduz uma pesquisa sobre os efeitos do aquecimento global nas macroalgas da região potiguar.
Essas algas são classificadas em dois grupos principais: macroalgas, que são multicelulares, e microalgas, formadas por uma única célula. O estudo foca em duas espécies de macroalgas, Gracilaria birdiae e Gracilaria caudata, analisando seu comportamento em condições ambientais adversas.
Liderado pela professora Eliane Marinho Soriano, do Departamento de Oceanografia e Limnologia (DOL) da UFRN, o projeto avalia parâmetros fisiológicos, como crescimento e fotossíntese, além de aspectos bioquímicos, incluindo os níveis de nitrogênio, fósforo e carbono presentes nas espécies.
O estudo tem como objetivo entender como as macroalgas reagem às mudanças climáticas, com foco na disponibilidade de nutrientes e nas variações de temperatura, salinidade e pH. Para isso, exemplares foram coletados pela equipe na praia de Mãe Luiza e levados para o laboratório, onde foram submetidos a diferentes experimentos.
A pesquisa simulou cenários extremos projetados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), analisando o comportamento das espécies. Os resultados revelaram que a Gracilaria caudata demonstra maior tolerância ao estresse térmico em comparação à Gracilaria birdiae.
“Esses dados são especialmente relevantes para regiões tropicais, onde a aquicultura de macroalgas desempenha um papel importante na economia local e na conservação ambiental”, destaca Eliane.
Aquecimento global
O aquecimento global, caracterizado pelo aumento da temperatura global, ondas de calor marinhas e acidificação dos oceanos, representa uma grave ameaça à fisiologia e ao crescimento das macroalgas. Essas mudanças impactam suas funções vitais e interações ecológicas, comprometendo seu papel nos ecossistemas.
Além das macroalgas, todo o ambiente marinho ao seu redor é afetado. O risco é ainda mais preocupante para as algas tropicais, que já vivem próximas de seus limites térmicos.
No Rio Grande do Norte, as macroalgas desempenham um papel essencial para as comunidades litorâneas, servindo como fonte de renda por meio de sua colheita e cultivo. Essas práticas estão enraizadas nos saberes tradicionais, transmitidos de geração em geração.
Nesse contexto, a pesquisa busca compreender as estratégias de sobrevivência das macroalgas diante das crescentes mudanças climáticas, garantindo a continuidade de sua importância econômica e cultural para a região potiguar.
Informações UFRN.












