O estado de Santa Catarina alcançou a comercialização de 751,09 toneladas da macroalga Kappaphycus alvarezii na safra 2023/24, um crescimento de 150% em relação ao ciclo anterior. O aumento envolveu 52 algicultores, 136% a mais que na safra passada.
“O sucessivo crescimento da produção comprova a demanda pelo produto e demonstra a expectativa do setor produtivo, que está acreditando nessa nova cultura marinha, impulsionada pelo comércio comprador”, afirma Alex Alves dos Santos, pesquisador do Centro de Desenvolvimento em Aquicultura e Pesca (Epagri/Cedap). Os dados da safra foram detalhados por ele em artigo publicado na edição mais recente da revista científica Agropecuária Catarinense, da Epagri.
A comercialização direta da alga in natura gerou R$ 2,1 milhões, com cada quilo vendido por R$ 2,80. Além disso, a produção resultou em 600.872 litros de biofertilizante, movimentando R$ 10,8 milhões.
Desafios entre produção e processamento
A dificuldade na comercialização foi atribuída a um descompasso entre a capacidade diária de fornecimento de algas pelos produtores, que variava entre 10 e 15 toneladas, e a limitada capacidade de processamento de biofertilizante, que alcançava apenas 6 toneladas por dia.
Esse gargalo ocorreu devido à presença de apenas uma empresa compradora de algas no estado. “Não foi possível adquirir mais algas do que a capacidade de transformá-las em biofertilizante”, explica o pesquisador, Alex.
Já para a safra 2024/25, a capacidade de processamento foi ampliada para 35 toneladas diárias, com a entrada de duas novas empresas no setor, totalizando três atuantes.
Além da crescente demanda por biofertilizantes, a biomassa da macroalga também é valorizada em setores como biotecnologia, pecuária e comércio de créditos de carbono, ampliando suas possibilidades de uso e mercado.
Resíduos com alto teor de carragenana e probióticos
Alex explica que, após a extração do biofertilizante, cerca de 4% do material resultante consiste em resíduos ricos em carragenana e probióticos, que ainda não possuem mercado comercial. Atualmente, esse excedente é utilizado na alimentação de suínos, aves e bovinos, além de ser aplicado na adubação do solo.
“A principal barreira para a comercialização imediata é a secagem adequada”, ressalta o pesquisador. Uma das empresas produtoras de biofertilizantes no estado já alcançou progressos parciais em testes para aprimorar o processo de secagem.
A terceira safra catarinense da macroalga Kappaphycus alvarezii ocorreu de setembro de 2023 a maio de 2024, com a participação de 22 produtores em Florianópolis, 10 em Palhoça, cinco em Biguaçu, cinco em Bombinhas, três em Penha, três em Governador Celso Ramos, dois em Porto Belo, e um em São José e São Francisco do Sul.
A produtividade média foi de 28,55 toneladas por hectare. A área explorada por produtor foi, em média, de 0,78 hectare, com uma produção individual de 14,44 toneladas.
O cultivo comercial da macroalga em Santa Catarina foi autorizado em 2020, após 11 anos de pesquisas conduzidas pela Epagri e pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A primeira safra, em 2021/22, resultou em 102,3 toneladas.
Informações Epagri.












