Os integrantes da Câmara Setorial da Aquicultura se reuniram na última terça-feira (12/11) para discutir estratégias de desenvolvimento produtivo do setor. O encontro, realizado de forma híbrida, abordou o potencial econômico da aquicultura no Rio Grande do Sul e apresentou propostas para enfrentar os desafios regionais.
O pesquisador Luis Eduardo Noskoski, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), ressaltou a relevância da tilapicultura nas regiões norte e noroeste do estado. A atividade envolve 69 municípios, abrangendo 210 propriedades rurais e aproximadamente 200 hectares de lâminas d’água. Esse esforço coletivo resulta em uma produção anual de 5.440 toneladas de tilápias, distribuídas por 13 agroindústrias.
Tilapicultura impulsiona economia e promove sustentabilidade
Noskoski destacou o impacto socioeconômico da tilapicultura: “A produção gera empregos, estimula o consumo em setores como comércio e serviços, e fortalece a circulação de renda, promovendo crescimento econômico e diversificação”. Ele também enfatizou que a tilapicultura no Brasil está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, contribuindo para metas como a erradicação da pobreza, segurança alimentar, desenvolvimento econômico sustentável e preservação da vida aquática.
Everton Zardo, representante da empresa Puro Trato, destacou a importância comercial da tilapicultura na região, citando como exemplo uma propriedade em Tenente Portela com 4,8 hectares de lâmina d’água, que atinge uma produtividade de 20 a 25 toneladas por hectare, movimentando cerca de R$ 2 milhões por safra. “O mercado consumidor está demandando tilápia. O gaúcho está consumindo mais peixe”, afirmou Zardo.

Outro exemplo foi trazido por Márcio Manfio, da AgroTilápia, que destacou a produção de 130 toneladas por ciclo em uma propriedade localizada em Frederico Westphalen. O caso demonstra a viabilidade econômica da tilapicultura mesmo em sistemas semi-intensivos.
Carcinicultura e apoio emergencial em debate
O professor Geraldo Fóes, da Universidade Federal de Rio Grande (FURG), enfatizou a relevância das pesquisas com camarões, uma das espécies mais consumidas no mundo, e propôs parcerias para capacitação de produtores e indústrias.
Na esfera das políticas públicas, foi discutida a implementação de um programa emergencial para apoiar o setor afetado por eventos climáticos no estado, com a proposta sendo direcionada às Secretarias de Agricultura e Desenvolvimento Rural.
Perspectivas para 2025 e novos estudos
A coordenadora da Câmara, Maria Gabriela Mattei, destacou ações voltadas para o incentivo ao consumo de pescado, como o Dia do Peixe, a Semana do Pescado e a Expointer. Para a próxima reunião, que ainda não tem data definida, estão programadas apresentações sobre a situação da aquicultura no estado e os dados da Cadeia Produtiva da Aquicultura, desenvolvidos pelo Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA).
Informações Câmara Setorial da Aquicultura RS.












