Uma pesquisa inovadora da Universidade Estadual Paulista (UNESP) está impulsionando a produção de tilápias, ao revelar que a seleção genética de fêmeas com características reprodutivas superiores pode aumentar significativamente a eficiência da produção.
Este avanço pode reduzir drasticamente a quantidade de matrizes necessárias, ao mesmo tempo que acelera o ciclo reprodutivo das tilápias em mais de um mês, mantendo a produtividade.
A pesquisa foi baseada em um vasto banco de dados, com mais de 6.000 registros reprodutivos de 2.675 matrizes microchipadas, coletados entre 2009 e 2021.
O estudo foi conduzido como parte do mestrado em Aquicultura de Thaís Gonçalves, sob orientação de Rafael Vilhena Reis Neto, ambos da Faculdade de Ciências Agrárias do Vale do Ribeira da Unesp, campus de Registro.
Avanços na eficiência reprodutiva
Os resultados indicam que a mesma produtividade anteriormente alcançada por 950 fêmeas, que desovavam a cada 45 dias, pode agora ser atingida por apenas 150 fêmeas, que desovam a cada 10 a 12 dias.
Esta descoberta tem potencial para revolucionar a piscicultura, tornando a oferta de alevinos mais constante e eficiente, com impactos significativos na redução de custos operacionais e na otimização do uso do espaço e da mão de obra.
“A utilização de fêmeas mais eficientes pode não só reduzir o espaço necessário para a produção, como também diminuir a necessidade de mão de obra,” explica Thaís Gonçalves, proprietária de uma piscicultura comercial em Registro, SP.
“Os ganhos ocorrem em várias frentes, desde a eficiência reprodutiva até a sustentabilidade do negócio.”
Importância no cenário nacional e global
O Brasil está se consolidando como um dos principais produtores mundiais de tilápia, respondendo por 64% das 580 mil toneladas de peixes produzidos pela indústria de piscicultura em 2023, segundo dados da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR). Atualmente, o país é o quarto maior produtor global da espécie.
A tilápia é uma das espécies mais comercializadas no mundo, especialmente na Ásia, e sua produção global alcançou 4,5 milhões de toneladas em 2020, segundo a FAO.
“Programas de melhoramento de tilápia têm avançado rapidamente na seleção de linhagens para crescimento e resistência a doenças, mas características reprodutivas raramente são incluídas nessa avaliação,” destaca Rafael Reis Neto.
“Com este estudo, comprovamos que fatores genéticos são igualmente cruciais para a eficiência reprodutiva, o que pode beneficiar não apenas o setor produtivo, mas também os programas de melhoramento genético.”
Sobre os autores
O estudo foi realizado por Thaís Gornati Gonçalves, Kétuly Silva Ataides, Roberto Carvalheiro, Fabio Augusto Camisa Nova e Rafael Vilhena Reis Neto, ambos afiliados à Universidade Estadual Paulista (UNESP).
Thaís continua seus estudos de doutorado em Aquicultura na UNESP de Jaboticabal, onde ela se concentra em otimizar a produção de alevinos para o mercado comercial.
Para mais informações, acesse o estudo completo publicado na revista Aquaculture: https://doi.org/10.1016/j.aquaculture.2024.740818.
Com informações de Eduardo Geraque / Jornal da Unesp.












