A escassez de camarão, ingrediente essencial nas receitas da culinária paraense, está afetando áreas críticas no oeste do Pará e na região do Marajó. Esse problema tem impacto significativo na subsistência de mais de 17 mil famílias que dependem da pesca de camarão como principal fonte de renda. A professora Cristiana Ramalho, especialista em aquicultura da Universidade Federal do Pará (UFPA), comentou a situação em entrevista à Rádio Cultura FM de Belém.
A redução da população de camarões nos municípios de Afuá, no Pará, e Macapá, no Amapá, tem sido particularmente grave desde 2023, e a crise continua a se espalhar para outras áreas, especialmente na ilha de Marajó. “Muitas famílias estão sem renda e sem alternativas viáveis de trabalho”, afirma Ramalho, destacando a gravidade do problema social.
Causas da escassez
Cristiana Ramalho explicou que a crise na produção de camarões pode ser atribuída a uma combinação de fatores, incluindo a sobrepesca, salinização de algumas regiões da Foz do Rio Amazonas e mudanças climáticas, como a maior seca já registrada na Amazônia em 2023. A seca resultou nos níveis mais baixos do rio de todos os tempos, impactando negativamente o habitat dos camarões. Além disso, a poluição e a mudança das fontes de alimento da espécie são fatores que necessitam de mais investigação.
De acordo com o IBGE, o Pará é praticamente o único estado da região Norte do Brasil a ter produção ou extração do fruto do mar, com 60 toneladas por ano. A importância econômica dessa atividade para a região ressalta a gravidade da crise atual.
Durante seu pós-doutorado na Inglaterra, Ramalho identificou uma situação semelhante em uma cidade inglesa, onde a quantidade de camarões explorados por comunidades locais também diminuiu drasticamente. Esse paralelo levou à elaboração de um projeto colaborativo entre pesquisadores da Inglaterra e do Brasil para abordar a crise do camarão na Amazônia.
Soluções propostas
Ramalho sugere que medidas urgentes sejam tomadas para mitigar os efeitos dessa crise. Entre as soluções propostas estão o incentivo à aquicultura sustentável, a criação de áreas de proteção ambiental e programas de capacitação para os pescadores. “Precisamos de políticas públicas eficazes que ajudem a reverter essa situação e garantir a sustentabilidade das comunidades pesqueiras”, concluiu.
Com informações da Agência Brasil.












