Realizado pelos pesquisadores da Universidade Federal De Minas Gerais (UFMG), Guilherme Alves de Queiróz, Tarcísio Martins França e Silva e Carlos Augusto Gomes Leal, o estudo intitulado “Duration of Protection and Humoral Immune Response in Nile Tilapia (Oreochromis niloticus L.) Vaccinated against Streptococcus agalactiae” investigou a eficácia de uma vacina comercial desenvolvida para combater essa bactéria, um dos principais patógenos responsáveis por alto surtos de mortalidade e grandes perdas econômicas em criações de tilápia no mundo todo.
Pesquisa comprova eficácia da vacinação em tilápias
Durante a pesquisa, as tilápias foram imunizadas com a vacina AquaVac® Strep Sa (MSD Saúde Animal) e monitoradas para avaliar tanto a duração da proteção quanto a resposta imunológica humoral. O estudo envolveu a imunização das tilápias, seguida de um acompanhamento ao longo de 300 dias para avaliar a resposta imunológica e a mortalidade após exposição ao patógeno.

Os resultados demonstraram que a vacinação conferiu uma proteção prolongada contra Streptococcus agalactiae, com níveis elevados de anticorpos específicos sendo observados nos peixes vacinados (figura), indicando uma forte resposta imunológica.
Esta resposta indica que a vacina é eficaz em proporcionar defesa a longo prazo. Os resultados desta investigação revelaram que uma única dose de vacina comercial administrada em tilápias proporcionou proteção por até 10 meses após a vacinação.
Além de proporcionar uma proteção prolongada contra S. agalactiae, os resultados demonstraram uma significativa redução na taxa de mortalidade e aumento na porcentagem relativa de sobrevivência nos peixes vacinados em comparação com os não vacinados, como mostrado na tabela abaixo.
| Grupo Experimental | Dias Pós-Vacinação (DPV) |
No de peixes desafiados | Mortalidade cumulativa (%) | PRS (%) | Valor de p * |
| Não Vacinado | 15 | 20 | 85 a | 71 | 0.0003 |
| Vacinado | 15 | 20 | 25 b | ||
| Não Vacinado | 30 | 20 | 70 a | 93 | ˂0.0001 |
| Vacinado | 30 | 20 | 5 b | ||
| Não Vacinado | 150 | 20 | 80 a | 94 | ˂0.0001 |
| Vacinado | 150 | 20 | 5 b | ||
| Não Vacinado | 180 | 20 | 65 a | 70 | 0.0095 |
| Vacinado | 180 | 20 | 20 b | ||
| Não Vacinado | 210 | 20 | 70 a | 86 | 0.0002 |
| Vacinado | 210 | 20 | 10 b | ||
| Não Vacinado | 300 | 20 | 90 a | 67 | 0.0002 |
| Vacinado | 300 | 20 | 30 b |
* Valor de p: Teste exato de Fisher.
Taxa de mortalidade cumulativa e porcentagem relativa de sobrevivência (PRS) de tilápias não vacinadas e vacinadas com vacina comercial, após desafios com S. agalactiae aos 15, 30, 150, 180 e 300 dias pós-vacinação (dpv). Diferentes letras sobrescritas indicam diferenças significativas (p < 0,05) entre os grupos. Créditos do artigo.
Carlos Leal, coordenador do estudo, destacou a importância dos resultados: “Nesse estudo avaliamos a duração da resposta imune contra S. agalactiae em tilápias do Nilo vacinadas com uma única dose. O período de tempo em que a tilápia mantém uma imunidade protetora pós-vacinação é um dado pouco explorado na literatura, mas extremamente relevante para os produtores do Brasil. Nossos ciclos de produção são mais longos, pois objetivamos a produção de filés, onde o peso à despesca é maior que em países asiáticos e africanos. Assim, os peixes permanecem por mais tempo na água, tendo uma maior exposição a estreptococose. Saber a duração da imunidade torna-se então fundamental para avaliação e eventuais ajustes nos programas de vacinação.”
Resultados promissores na produção de tilápias
Este estudo demonstra que a vacinação é uma ferramenta essencial para o controle da estreptococose em tilápias, proporcionando proteção prolongada, reduzindo perdas na produção e promovendo o bem-estar animal. A adoção de programas de vacinação adequados pode contribuir para a otimização da gestão da saúde e a sustentabilidade da produção na tilapicultura.












